Primeiro dos trinta



0 Comentários

Aos poucos o rosto muda, o corpo muda, a cabeça muda. Há mais marcas deixadas pelo tempo na alma de quem envelhece do que em seus rostos

Um momento, um minuto, um tempo já não tem mais a mesma duração interminável que tinha antes, o tempo passa rápido como uma locomotiva em alta velocidade

A preocupação com o trabalho, com o destino e com as pessoas já não é tão intensa, já não há aquela ansiedade por uma resposta dos tempos moços

É possível não só ver as pessoas, mas também enxergá-las analiticamente, entendendo suas escolhas e respeitando seus espaços, diminui-se a vaidade

Além da superfície, aprende-se a ver o que está dentro, a descobrir o que se esconde e a sentir o que se expressa sutilmente no brilho dos olhos

Multiplica-se o entendimento, divide-se as angústias, precipita-se os fins e traz-se à tona a dedução instintiva herdada dos erros da mocidade

Não há pergunta sem resposta, pois entende-se que muitas vezes a pergunta já traz em si todas as respostas ao longo do tempo

Entende-se que algumas coisas simplesmente não vão acontecer como queríamos, não há mais tanta novidade, mas também não é tudo uma “velhidade”

Aprende-se que o grande e o pequeno estão sujeitos ao sujeito, e não à forma ou nível, e sim ao grau de importância de seu símbolo

É possível, se teve-se boas experiências, amar mais, viver mais, gozar mais, aprender mais, respirar mais, entender mais, é possível ter mais, felicidade

Vanessa Dourado é professora por formação e poeta de coração


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *