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Ranger de dente #5

(Pintura: Vladimir Kush)

Por João Ernesto

tem um crocodilo no canto da sala em que eu costumo escrever.
eu tanjo ele com um pedaço de pau
enxoto para que fique muito bem acuado no canto da sala.
O pedaço de pau é um lápis que me escreve
sobre um réptil que come a minha barriga grávida.

João Ernesto ainda acredita que as reticências querem dizer muita coisa…

Um comentário em “Ranger de dente #5

  1. Só se escreve o que o corpo sente, como diriam os Joãos.
    Um corpo cansado, escreve com a cabeça sentada?
    E um corpo livre o que permite?
    Um pensamento acrobático, talvez?
    Já diria o poeta falando de sua matéria prima “poesia é para incorporar, não para entender”.
    Hoje eu vi um crocodilo na beira da minha sala.
    E como sua imagem me assolou, entre o encanto e o desespero.
    E as palavras que me procuram também estão por ali à minha espreita.
    Me ensinaram que quando há um crocodilo onde se escreve há de se ter um pedaço de pau apropriado para tal.
    Permaneço, movimentos contidos, corpo em alerta, perigo sem arrego.

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