poesia silenciosa

Pisoteio

João Ernesto 

chove dentro de mim
mas no estômago é um mormaço
passo a passo fica um incômodo
entranhado num buraco na barriga
como um calafrio suado

Como na calçada
suada
a serpentina rasgada,
o brilho de glitter
e gota de chuva

a ressaca está bem guardada
afiada como um fio de navalha
onde aprendemos a andar descalço
e sapatear na ponta dos pés
bailar sem sapatilha
pliê pra ajudar
a segurar o peso desse mundo
pra não perder a classe
e poder dançar mesmo quando
o mundo é mais pesado
que as pernas
não tem a pressa
de apressar o passo
maior que a perna.

João Ernesto acredita que as reticências ainda querem dizer muita coisa…

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