Soul: Um filme de tocar a alma



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(Ilustração: Lara Albuquerque)

A Pixar mais uma vez não desaponta. O estúdio de animação criador de filmes premiados pelo Oscar e Globo de Ouro como Toy Story e Wall-e mais uma vez criou uma história espetacular e comovente.

Soul: Uma Aventura com Alma” conta a história de Joey, um professor de música que sonha em ser um pianista em uma banda de jazz. Quando finalmente tem a chance de ir para o rumo de seus sonhos, o artista sofre um acidente e falece. Apesar de não ter tido a vida ideal, ao se tornar uma alma ele tenta retornar ao seu corpo enquanto convence um espírito que vale a pena viver.

Com gráficos tão impecáveis que o telespectador pode visualizar a textura da roupa dos personagens, o filme tem como tema principal o conceito básico da morte. Mais uma vez, em vez de abordar o fim da vida como algo macabro, a Disney dá um toque de leveza ao tema o enxergando como uma oportunidade de aprendizagem e um ponto de vista diferente para aqueles que nem sempre valorizam as oportunidades apresentadas pela vida.

Desde 1995 a Pixar vem criando histórias para o público infantil que também podem ser acompanhadas por adultos, colocando piadas sutis que geralmente passam despercebidas pelas crianças, e assim deixando ambos os públicos entretidos. Agora parece que o jogo virou e o conceito de filmes de animação não se restringe apenas para o público jovem. Os filmes continuam com uma pegada de aprendizagem para jovens e adultos e mensagens fortes para todos os públicos.

Em Wall-e por exemplo, a mensagem sobre a importância de cuidar do nosso planeta tem se tornado cada vez mais forte com o tempo. O filme Divertidamente aborda temas de depressão na adolescência e a importância de não reprimir o que sentimos. Estas mensagens envelhecem bem por continuarem significativas com o tempo independente da idade do telespectador. Os filmes mais antigos do estúdio de animação tinham mensagens mais básicas como não julgar alguém pela aparência ou valorizar a importância de amigos.

Agora parece que as histórias da Pixar estão mais maduras, mas divertidas como sempre, se tornando filmes para adultos, mas que crianças também podem assistir. Com designs divertidos de conceitos abstratos e um mundo completo que facilmente responde às perguntas “aonde vamos quando morremos?” e “de onde viemos?” Soul é uma obra genial.

O filme aborda questões dificílimas de serem respondidas com criatividade e leveza – sem perder o humor ou o público. O filme cria aspectos vivos em um mundo pós/pré-vida, abordando a criação de personalidades e “test drives” para que as almas escolham que tipo de vida querem viver.

Além disso, a história tem como complemento personagens bem desenvolvidos como a personagem sarcástica e cabeça dura “22”, que acha a Terra entediante mas acaba acompanhando o protagonista em sua jornada. Esta se torna parceira de Joe, que tenta convencê-la que a vida vale a pena. Esta personagem traz o aspecto cômico ao filme, que segura a atenção das crianças enquanto os adultos sentem na pele os dilemas do protagonista.

Mas pessoalmente minha parte favorita do filme é a “Zona”: o espaço onde as almas das pessoas vivas vão quando estão imersas em atividades que amam. Neste mesmo espaço há almas em transe que estão perdidas, que interpretei como pessoas que estão sofrendo de ansiedade e se sentem estagnadas.

O filme é uma sessão de lições morais para adultos com encantamentos e reflexões que deixarão o telespectador entretido do começo ao fim.

Outros estúdios também têm lançado animações adultas cada vez com mais frequência. Tirando desenhos adultos já conhecidos como Simpsons e Rick e Morty, temas pesados têm sido cada vez mais abordados por traços em vez de atores. Recentemente a Netflix lançou um filme chamado “Se Algo Acontecer Saiba que Eu te Amo” sobre a família de uma menina que foi morta em um tiroteio em uma escola. A animação está crescendo junto com seus telespectadores e apresentando conceitos que às vezes são mais fáceis de digerir por gráficos agradáveis.

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