luiza

Luiza: novo romance infantojuvenil de literatura negra

Luiza é o um livro infanto-juvenil escrito por Plinio Camillo com ilustrações de Thiene Magalhães e publicado pela Editora Kazuá

De acordo com Luiza Lobo, “a literatura negra é aquela desenvolvida por autor negro ou mulato que escreva sobre sua raça dentro do significado do que é ser negro, da cor negra, de forma assumida, discutindo os problemas que a concernem: religião, sociedade, racismo. Ele tem que se assumir como negro”.

Sinopse:

Luiza, negra de avó e mãe.

Narrar os mitos também é consolar os vencidos

Luiza, a mais nova de contadoras de história.

Sonhar é sair do lugar

Luiza, obrigada a fugir de Efegô, é capturada e escravizada por mais de dez anos.

Inventariar a tradição alegra as subidas e nas descidas da existência.”

Luiza durante uma grande surra revê parentes, irmãs e orixás.

Temos que estar atentas para quem vamos contar. Onde e quando. Por que e para que!

Luiza, uma homenagem a mães, irmãs, primas, filhas e mulheres com que aprendemos muitos.

Minhas filhas, creiam, não existe contar sem aprender com cada palavra que se desenha, quem nos ouve se comove e apreende.”

“Luiza” é a personificação de várias Luizas, mulheres guerreiras, aguerridas e lutadoras por natureza.

“Luiza” é uma ode ao empoderamento do povo negro, desde a mais tenra infância e discute questão de matrizes africanas.

“Luiza” põe em pauta o acesso às culturas que foram invisibilizadas ao longo dos processos de colonização.

“Luiza” – A oralidade é responsável por grande parte das informações – principalmente as ancestrais – que hoje conhecemos. Foi desta forma que povos contaram, geração a geração, suas histórias. Essa a ancestralidade é preservada e ensinada, de maneira didática, aos novos e novas personagens que no futuro darão sequência a essa história.

 

Para degustação I

O CAMINHO

Segue apreciando a trilha.
Está, como nunca antes, animada e imensamente confiante.

Depois da segunda curva, é supreendida: encontra Logun Edé que lhe sorri. Luiza o reconhece pelo cheiro de maçã verde e de pêssego amarelo.

Logun Edé tem os mesmos olhos da finada mãe de Luiza e os mesmos braços resistentes do pai.

Luiza sente uma grande vontade de queixar-se!
Até gritar.
Até gemer.
Até a dor sair!

Ele a abraça.

Ela se alegra e é como se vissem todos os dias!!

— Você está bem?
— Aqui estou sim!!
— Minha pequena, você está em Orum, o mundo dos espíritos!

Maravilhada Luiza aprecia a paisagem!

— Você não é a única Luiza daqui, sabia?
— Verdade?!?
— Há outras, mais altas, mais claras, mais escuras ou mais velhas. Algumas mais serenas, mais calejadas, mais agitadas, mais crédulas, mais comedidas, mais zelosas, mais falantes, mais despreocupadas e mais sagazes. Todas sim homenagens a primeira Luiza que fundou Efegô — Sorriem
— Onde estão? — Logun Edé pegando a sua mão a conduz. — Onde vamos? — Luiza está imensamente feliz.
— Navegar — o orixá ri com os olhos.

Os rios e as cachoeiras param em veneração.
Logun ô akofá!!!
As nascentes e lagoas entoam alegria.
Logun ô akofá!!!

Em terra, deslizam como se somente quisessem aproveitar a melodiosa companhia um do outro. Apreciar o macio caminho. Logun Edé lhe conta que estão em Orum, o mundo dos espíritos.
Para degustação II
ORUM

A terra dos céus.
Terra de tantos céus como contas do colar de Oxum.

Logun Edé fala também da vida nova que ali desponta para a Luiza.

Luiza encantada pede se pode contar a história que sua mãe lhe ensinou sobre Logun Edé.

— Sempre esperei ouvir de você … recite para mim, por favor – — o orixá senta à sobre de uma árvore e se prepara para ouvir atentamente.

No fundo tem o silêncio.
A calmaria das águas ajuda a não pensar.

Ficar longe.
Muito arêrê e muita gritaria.
Oxum por ser a mais…
Oxóssi por ser o mais…
Muitas brigas e nenhuma por ele.

Ilá!!

O fundo do rio está perto do silêncio.
Dentro o banzé ficou longe.

Caça melhor que muitos.
Porém quem conquista o melhor ekó??
Oxóssi!

É dá água mais que todos.
Mas os ejás saúdam?
Somente Oxum.

Nunca erra um alvo, mas vacila perto do seu pai.
Entende dos rios e dos bichos d’águas, mas é um bobo perto de sua mãe.
Conhece sobre os caminhos, porém bem menos que ele: Oxóssi.
Adivinha todas as trilhas da alma, mas ela é mais precisa. Salve Oxum!
Chega primeiro e seu pai sempre já lá esteve.
É belo, ativo, porém sua mãe é a odara.
Nem para ele olham.

Pai??
Mãe??

O fundo a paz inunda.
Do fundo veio a pureza.
Limpa e fluida.
Tempo sumido.

Sentem sua falta.
Mãe se desespera.
Oxossi berra um grito que até chega em Efegô.

Pai implora.
Oxum está desesperada como nunca antes esteve.
Filho??

Filho!??

Clamam pelo maior.
Olurum atende pois tinha outras obrigações para o menino
Olurum ergue Logun Edé.

Que agora pode se fazer pequeno.
Grande Menina.
Menino.
Gente.
Filho.

Pai caçador e mãe d’água agradecem.
Oxum e Oxóssi comemoram.

Logun Edé.
Ri de ser querido.
Veio a alegria quando
Olurum sussurrou que ele é a melhor parte dos dois.

 

Ilustradora

Thiene Magalhães é designer, artista plástica e ilustradora. Hoje residindo no centro de São Paulo, quando criança, morou em Ribeirão Pires, no ABC Paulista. Antiga parceira da Kazuá, ela também assina, além da direção de arte em diversos livros do catálogo da editora, a ilustração das obras “Cidade dos Canais”, de Madô Martins, “Cachinhos de Uva e os Três Ursos” e “A menina que furtou o Sol”, de Max Dias, “Demorei a gostar de Elis”, de Alexandra Lopes da Cunha e “Um Saci em Sampa”, de Luciano Nunes. O processo de criação das aquarelas que compõe o livro LUIZA são parte de um laboratório feito em São Paulo e concluído na Bahia, onde pôde conhecer melhor os preceitos da religiosidade afro-brasileira.

O escrivinhadeiro

Plinio Camillo nasceu em Ribeirão Preto em 1960, reside em São Paulo desde 1984, tendo vivido em Campinas entre 1998 a 2001. Ator, educador social ( atuou com crianças e adolescentes de rua ), roteirista e hoje trabalha na área de comunicação.

Aos três anos descobriu que as letras tinham significados.

Aos cinco, a interrogação.

Aos nove, não era sintético.

Aos doze, quis ser metonímia.

Aos quinze, conquistou a exclamação.

Aos dezessete, viu os morfemas.

Aos dezoito, foi liberado do tiro de guerra, virou perífrase.

Aos vinte, estava no palco.

Aos vinte e dois, se enxergou como um advérbio.

Aos vinte e cinco, desenredou a Lingüística.

Aos vinte e sete, redescobriu o eufemismo.

Aos trinta, a e a onomatopeia.

Aos trinta e dois, melhorou a minha caligrafia.

Aos trinta e cinco, recebeu o maior presente: aquela que lhe trouxe a felicidade.

Aos trinta e seis, não morreu como ameaçava o anacoluto.

Aos quarenta, desvendou uma ligeira maturidade e ironia.

Aos quarenta e cinco, recebeu o prazer de viver no adjunto adverbial de companhia.

Aos quarenta e sete abreviou o seu discurso.

Aos cinquenta, toma remédio para pressão e usa óculos até para atender telefone.

Hoje, com quase sessenta, se diverte cometendo escritos.

 

EXPERIÊNCIA LITERÁRIA – Livros Publicados

ABIGAIL coletânea de contos (diversos autores) – Editora Terracota

O NAMORADO DO PAPAI RONCA – romance infantojuvenil – ProAC 2012 – Editora Prólogo – Selo Mundomundano

ASSIM VOCÊ ME MATA – coletânea de contos (diversos autores) – Editora Terracota

CORAÇÃO PELUDO - coletânea de contos – Editora Kazuá

OUTRAS VOZES - coletânea de contos sobre o negro escravizado no Brasil – 11Editora

DESCONTOS DE FADAS – coletânea de contos (diversos autores) – Alink Editora

PRIMEIRAMENTE – coletânea de contos (diversos autores) – Alink Editora

ESCANGALHAR – Organizador: coletânea de contos (diversos autores) – Resultado da Oficina de contos promovidos pela Editora Kazuá

DE RUA – coletânea de contos sobre meninos de rua em parceria com Júlio Dias – Editora Kazuá

BOMBONS SORTIDOS – coletânea de contos divididos em dez livros: Amargo, Ao Leite, Castanhas, Mel, Pimenta, Crocante, Meio Amargo, Meio Doce, Recheados e Trufados. – Editora Kazuá

 

Contatos

 

Plínio Camillo – Email: pcamillo60@uol.com.brTelefone: 11 996279640

Editora Kazuá – Email:contato@ediotrakazua.com.brTelefone: 11 33372899

 

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