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Simpl(es)cidade de Leo Silva

A exposição fotográfica, ou expedição visual, recebe visitações no Cuca Jangurussu até julho

Por Dani Guerra

O ponto de partida de Leo Silva é a identificação com a comunidade, ele é morador do Jangurussu desde o nascimento. A Exposição Simples Cidade – Simplicidade, potencializa o permanecer, estar no bairro, e não apenas fotografar e ir embora: “Eu já vi diversas vezes  a galera que fotografava aqui, mas não via o que eles fotografavam, eu não via o resultado final”.

Jangurussu é construído e criminalizado diariamente nos programas policiais, mas Leo não assiste TV, entende a vulnerabilidade do bairro, associando os serviços precários ao “esquecimento” da gestão pública. A ideia do fotógrafo é mostrar algo além do que vem sendo reproduzido sobre o local e desconcentrar o que as pessoas entendem por Jangurussu: “Normalmente, as pessoas não conhecem como é o Jangurussu em si, muitos não sabem quais são as comunidades que compõem, como chegar nesses locais, acabam centralizando o Jangurussu na área do Cuca, São Cristovão”.
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O trocadilho entre simplicidade e simples cidade situa o que Leo Silva entende por ela: circunstâncias de cotidiano, o caminho, calçada, espaços coletivos e privados, pessoas reais. “O Jangurussu é minha cidade”, defende. As paisagens de cartão-postal de Fortaleza, tão antigas quanto a desigualdade na cidade, não representam Leo, em seu discurso, precisam ser descentralizadas, o olhar perpassa a escolha dos objetos.

Em uma das fotos selecionadas para a  Exposição, a graça da reação de dois pivetes à câmera traz o dilema do fotógrafo no começo do projeto.  Um cotoco à fotografia. Como explica Leo, a reação inicial das pessoas ao desconhecido é tentar saber para onde vai aquele registro, mas, a partir deste contato, surgem as narrativas e, assim, vão se formando as personagens da exposição.

“No começo da exposição, eu comecei a articular essas comunidades para fazer essas visitas, só que depois eu fiquei pensando, se eu for entrar contato com alguém da comunidade que tem grande acesso àquele local, eu ia ter o antecedente que eu ia utilizar aquela comunidade só para fotografar e sair fora, que que eu fiz? Peguei a bike e comecei a sair andando pelo meu próprio bairro, ia em cada comunidade, em determinado momento, eu tirava a câmera e fotografava, em cada ponto isso foi criando grandes arquivos” – relembra.

Um cotoco à fotografia
Um cotoco à fotografia

Cada foto, uma história, quando não é simples reflexo do preto em branco da imagem, é relembrada no texto que acompanha a exposição. A seleção das imagens passa pelas oito comunidades do Jangurussu. Cada uma delas é ponto de passagem e permanência: “Primeiro foi o Santa Filomena, depois foi o Tamandaré e assim em diante”. O subtítulo da exposição é “fotos aleatórias”, a forma que Leo Silva encontrou de significar o que depende das circunstâncias, sujeito ao acaso.

Além de ficar em exposição na Rede Cuca, a exposição passou no Edital Ação Jovem e, por meio dele, será levado para dentro das comunidades que compõem o Jangurussu.

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