O assaltante como um nômade das práticas criminais



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(Ilustração: Lara Albuquerque)

Eu fui assaltado uma única vez. Tinha 15 anos e estava indo da minha casa à farmácia quando um jovem encostou bem próximo a mim com sua bike e anunciou “bora, bora, passa o relógio”. Acompanhado de um olhar intimidador e penetrante e da expressão verbal, dita em tom altivo e imponente, ele fez um gesto como se fosse pegar algo por debaixo de sua camisa, na altura da cintura. Entreguei-lhe o relógio. Tenho quase certeza que o assalto foi realizado “na sugesta”, quando o agente criminal apenas sugere que tem uma arma de fogo ou outro objeto – como uma faca – para subjugar a vítima. 

Alguns anos depois, nas minhas andanças pelo Grande Tancredo Neves, nos reencontramos. Estava indo em uma “bocada” e, para minha surpresa, era a mesma rua onde ele morava, pois ele apareceu à porta de uma das casas vizinhas. Eu o reconheci de prontidão. Mirei-o por dois ou três segundos. Nesse ínterim, nossos olhos se cruzaram. Não tenho como afirmar se ele me reconheceu, mas posso dizer que percebi um certo embaraço na sua fisionomia. Depois desse dia, já nos vimos algumas outras vezes. 

No dia do assalto, me senti impotente e subjugado. Totalmente vulnerável à situação, sem ter o que fazer senão ceder ao algoz. De fato, é um contexto em que a expressão muito recorrente “perdeu, perdeu”, empregada pelos assaltantes, faz todo sentido. Bebendo no teórico Erving Goffman e, portanto, pensando o ritual de interação, proponho que o assaltante é um exímio profanador ritual; ele transgride a ordem cerimonial dos encontros interpessoais, rompe o protocolo das propriedades situacionais, subverte a etiqueta da “fachada” e constrange a diplomacia sacralizada das interações face a face. 

Não à toa os assaltos são momentos extremamente desestabilizadores para as vítimas, pois uma vez que estas já estão condicionadas a viver socialmente sob cerimonialismos ritualísticos, no ato do assalto são tomadas por um sentimento confuso e incapacitante face à profanação do ritual do encontro. Trocando em miúdos, o assaltante desestrutura a pretensa habilidade social de manter a “fachada” que a vítima aprendeu no convívio social a manejar diante das relações interpessoais. 

Para pensarmos: “o assalto é um ato utilitário, além de ser uma violação aos meus direitos e liberdades, ou é um gesto simbólico, num contexto afetivo condicionado pela desigualdade e por sucessivas rejeições?”, reflete Celso Athayde em Cabeça de porco.

Caminhando por trilhas paralelas à de Goffman, o filósofo Hegel pontuou que o crime surge como ação a partir de uma experiência subjetiva de reconhecimento incompleto ou insatisfatório no que concerne às pretensas relações sociais de reconhecimento recíproco ou mútuo. Nesse sentido, no assalto à mão armada, por exemplo, o atacante macula a forma jurídico-universal de reconhecimento. 

Para Nietzsche, em Genealogia da moral, “o criminoso é antes de tudo um ‘infrator’, um indivíduo que rompe o contrato e a palavra com todos no tangente à totalidade dos benefícios e vantagens da vida comunitária por ele usufruídos até então”. No caso dos praticantes da criminalidade favelada, pode-se pensar que “os benefícios e vantagens” de sua vida de privações não são tão atrativos à resignação obediente. Há, portanto, na ação do assaltante o fagocitismo simbólico não apenas de uma profanação ritual, mas também de uma afronta moral à ordem estabelecida. 

Dialogando com Hegel, sublinho que uma das minhas hipóteses empíricas é que há um processo de subjetivação incrustado no assaltante da favela – e no criminoso pobre em geral – que de alguma forma constela conteúdos psíquicos reprimidos, parte considerável destes relacionados à vida de estigmatizações sociais e de históricas privações materiais e simbólicas, transmitidas transgeracionalmente. No limite, essa subjetivação construída sobre um reconhecimento social insatisfatório ricocheteia em suas práticas violentas, como um momento de excitação catártica e liberação psíquico-espiritual desses recalques muitas vezes inconscientes. 

O assalto funciona aqui, nesta leitura interpretativa que proponho, como contra-intervenção individual e coletiva dos marginalizados para compensar a despossessão simbólico-material que sofrem no cotidiano, sobretudo para dar algum sentido de vida ao marasmo existencial de uma alma-corpo estigmatizada. Dessa forma, o assalto e outras modalidades de atividades criminais empreendidas pelas pessoas marginalizadas são parte essencial de uma economia de bens simbólicos que circula entre as camadas pobres com o objetivo de garantir lucros de representação e reconhecimento. 

Em suma, o assalto pode funcionar então como vingança coletiva dos agentes da criminalidade pobre contra a semiologia dominante do estatismo e dos meios corporativos hegemônicos. 

O sociólogo Leonardo Sá propõe reflexões pertinentes sobre o assunto: “O assalto parece querer dizer algo sobre a economia simbólica da violência em sociedades de fortes desigualdades de poder, recursos e oportunidades de expressão de uma vida que se possa considerar significativa. O assaltante neste modelo que estamos sugerindo aparece como um litigante contra o Estado. […] surge como uma força disruptiva contra o abandono das prerrogativas e dignidades da vida familiar tradicional. É violento para redobrar o peso de uma violência espoliadora dos direitos arcaicos da pessoa e das famílias tradicionais, expropriadas das terras comuns pela expansão dos mercados capitalistas, principalmente o mercado imobiliário”. 

Pensando a questão a partir de outra perspectiva, acho interessante a análise relacional que Carolina Grillo, em Coisas da vida no crime: tráfico e roubo em favelas cariocas,  efetuou entre assalto e dádiva, no sentido maussiano. De acordo com esta autora, no morro carioca em que realizou sua pesquisa, os assaltantes são censurados e reprovados moralmente pelos traficantes porque muitas vezes atraem polícia ao local devido aos seus roubos no “asfalto”. Como forma de compensar essa relação conflituosa e obterem uma relativa tolerância e anuência às suas práticas delitivas, os assaltantes estrategicamente convertem parte significativa dos artigos roubados em dádivas que circulam pela favela como sistema de trocas não mercantis. Doam joias, relógios, celulares, bolsas femininas, óculos escuros, etc. Embora, como sustenta Grillo, a conversão dos produtos do roubo em mercadorias seja a razão de ser do assalto, e a fluidez, no território dos assaltantes, deste comércio de mercadorias roubadas seja importante para movimentar a rede de ilegalismos, é na oferta de dádivas, acompanhada de todo um jogo social de simpatia e carisma, que eles realizam “uma sofisticada técnica de manipulação psicológica utilizada pelo ladrão para exercer controle sobre o pensamento e ação de outras pessoas”. 

Nessa economia simbólica, nos ensinou Mauss, a dádiva obriga o contra-dom, ou seja, uma recíproca retribuição. É provável que os assaltantes do morro carioca pesquisado por Grillo nunca tenham lido Mauss, mas no seu saber empírico, na sua sociologia espontânea, eles lançam mão de táticas astutas para “sobreviver na adversidade”, para usar um termo de Daniel Hirata. 

Assalto e nomadismo

Se o tráfico é uma atividade “sedentária”, o assalto é sua antinomia. Para acontecer, o agente criminal precisa se movimentar, sair de seu bairro, desvencilhar-se de sua, com o perdão do clichê, “zona de conforto”.

O assaltante é o nômade urbano das práticas criminais. Ele precisa deslocar-se, traçar novas rotas de fuga, descobrir atalhos, arriscar itinerários, adaptar-se e jogar criativamente com as contingências de sua atividade, estar sempre alerta para escapar ao sistema de vigilância e repressão da ordem hegemônica, ou seja, o ladrão precisa desenvolver toda uma “tecnologia do roubo”, para usar uma expressão de Grillo, para empreender êxito em suas investidas. 

Em sua pesquisa etnográfica no bairro Aerolândia, intitulada Violência, cidadania e medo: vivências urbanas em Fortaleza, Clodomir Matos Júnior, em um diálogo com a teoria e as técnicas do corpo em Marcel Mauss, ressalta para “perceber a importância do corpo enquanto elemento performático-performativo, pois ao locomover-se o mesmo se enuncia”; além do mais, as particularidades corporais não são apenas maneiras naturalizadas de comportar-se, mas técnicas assimiladas socialmente por meio de heterogêneas imersões em grupos. 

É assim, por exemplo, que o assaltante estuda a corporalidade do transeunte antes de praticar o assalto, tecendo avaliações objetivas sobre possibilidade de êxito na ação a partir dos sinais corporais da iminente vítima. De acordo com Matos Júnior, “saber ‘ler’ as impressões individuais e sociais é um aprendizado significativo em contextos de criminalidade, tanto para aqueles que querem escapar de possíveis assaltantes, como para os que buscam escolher a ‘melhor vítima’ para o assalto”. 

Enquanto o aparelho de Estado é essencialmente sedentário, pois governa a partir de um regime tópico, localizado; o assaltante enquanto nômade urbano é, em fundamento, um ego antiestatismo. A ação do assaltante – diferentemente do traficante varejista que espera a clientela em seu território – se insinua por toda a cidade, avança sinais vermelhos da semiologia do poder, enfrenta as agências de segurança e controle, enfim, representa o principal agente social ainda não integralmente domesticado pela dominação espetacular. Em poucas palavras, o ladrão “é o pesadelo do sistema, não tem medo da morte”, canta o Racionais MC’s, em Eu sou 157

Dos assaltantes com quem conversei, Raposão me pareceu o mais audacioso para lançar mão da tecnologia do roubo e lograr êxito. No entanto, tamanha ousadia lhe foi custosa. Conversamos quando ele tinha acabado de sair do sistema prisional, e um mês após nossa conversa ele retornou à prisão, após ser interceptado por policiais militares na fuga de um assalto a uma casa lotérica numa cidade da região metropolitana de Fortaleza. Ele me conta: “Certa vez eu tava pensando… têm uns meninos que trabalham comigo só roubando ouro. O cidadão num vai [no supermercado] pra comprar alguma coisa pra suprir a necessidade da família, né? A gente não, a gente vai lá pra olhar quem é mais boa pinta, rico, que tenha um cordão de mais de 50 gramas no pescoço. Aí quando você vai saindo já tem um outro menino meu do outro lado da avenida olhando: ‘Ó, fulano de tal, roupa tal, carro tal’. Aí o menino segue você até sua residência, invade a residência com uma pistola, pede licença pra tirar o cordão e vai simbora”. 

À época da nossa conversa, Raposão comandava uma equipe com dez assaltantes de mansões, lotéricas, lojas, restaurantes, “saidinhas bancárias”, etc. “Pra tudo eu tenho os cara que são bom naquilo, né?”, disse com orgulho. Disponibilizava carros clonados e armas para seus comparsas, montava a equipe e muitas vezes ia junto. Ao final, partilhavam o montante arrecadado meio a meio. 

Ele me explicou como funciona a relação interpessoal com as vítimas: “No mundo do 157 [assalto] tem uma lei, se reagir, como diz a música do Racionais, vira pó. A vida do cara que trabalha pra mim é mais importante do que a da vítima, lógico, sem dúvida, porque é dali que eu tiro meu sustento. Tem um moleque meu que trabalha por aqui, foi ele que matou esse vigia do posto aqui, o outro da [avenida] Washington Soares, o do [bairro] Castelão semana passada. É o que eu digo: ‘Meu fi, você escala [anuncia], perdeu, se ele disser que perdeu, você deixa ele lá ileso, mas se ele se coçar, pau no gato’. E o pivete é sangue no ôi [olho], entendeu?” 

Assalto “no vapor” e assalto “no sapatinho”

Pela personalidade de Raposão, e pelos casos que ele me descreveu, ele é adepto dos “assaltos no vapor”, que são eventos em que os agentes criminais demonstram um maior gradiente de ansiedade e empreendem mais pressão sobre as vítimas, usando de violência física e psicológica, de forma estratégica e muitas vezes performática, para tentar encurtar o tempo de assalto. Do outro lado dessa configuração típico-ideal, estão os “assaltos no sapatinho”, que são aqueles com uma maior margem de diálogo e negociação com as vítimas, não fazem tanto uso da exibição ostensiva de armas de fogo, e geralmente por serem mais demorados utilizam reféns, etc. São os ladrões mais “mente fria”, “cabeça de gelo”, ou, numa versão anglo-saxônica da gíria, coolness, como observou Goffman referindo-se à qualidade exaltada e verbalizada por jovens marginalizados objetos de sua pesquisa. 

Esta divisão foi acionada pelos interlocutores de Jânia Aquino, em seu trabalho com assaltantes de empresas transportadoras de dinheiro chamado Príncipes e castelos de areia: performance e liminaridade no universo dos grandes roubos. Fica evidente que são construções idealizadas nas narrativas dos assaltantes, mas que na prática o “assalto no vapor” e o “assalto no sapatinho” se enredam e transitam entre um e outro; em suma, são quase sempre partes situacionais de um mesmo evento criminal. 

Ao longo do nosso diálogo, Raposão recebeu telefonemas e mensagens num aplicativo de celular. “E aí, irmão, o que tem pra nós hoje?”, disse alguém no outro lado da linha. Ele fez questão de colocar no viva-voz para que eu também escutasse a conversa. Outro combinava uma “missão” numa lojinha que já tinha sido “filmada”. Filmar é reconhecer o local e observar sua movimentação para tramar o melhor horário e a forma mais adequada para o assalto. 

Contudo, sua principal função na época era como “fiteiro”, aquele que vai ao lugar visado previamente para “filmar a fita”. Geralmente, são pessoas que têm mais desenvoltura para relacionamentos interpessoais e um nível razoável de argumentação persuasiva. É o bandido que para a “missão” se “arruma nos panos”, conversa com o gerente do banco para abrir uma conta, entabula conversa com o caixa da lotérica enquanto observa o sistema de segurança do lugar, e frequenta circuitos das classes mais abastadas para “filmar” possíveis vítimas, sem provocar suspeita. 

Para explicar o que é, prefiro suas próprias palavras: “Eu sou fiteiro, entendeu? Eu sou o que me visto bem, vou prum local, eu sou o que tenho o diálogo melhor com o pessoal da alta, chego sem levantar suspeita e tal… entendeu? Pra passar as fitas pros outros, então eu tenho que ser um cara limpo, eu não posso ser foragido. Fiteiro é aquele cara que sabe trabalhar na boca do caixa com cartão, que tem diálogo pra entrar lá dentro e falar com o gerente, desdobrar [enganar] ele enquanto tudo acontece, entendeu? Aquele que tem um diálogo melhor pra tá em qualquer situação, entendeu?” 

Os médios assaltos são hoje uma modalidade que rende muito dinheiro aos participantes. Raposão conta que no maior assalto que participou, numa lotérica, ele e mais cinco comparsas conseguiram amealhar 270 mil reais. A quantia foi dividida entre todos os envolvidos. Pergunto-lhe se já assaltou bancos: “Banco ainda não, tô me especializando… Por causa dos explosivo. Então, eu não sei trabalhar com cordel, que é dinamite rígida com um cordel. Aí eu tô conhecendo uns cara que já trabalhou com isso, todos eles têm várias cicatrizes, queimadura, aí eu tô achando meio… [Vixi, escamoso, né?] Prefiro continuar mesmo o bagulho [deixar como está]. Se intera? Pra tá se matando sozim? Jamais”.

Raposão me narrou também como é a modalidade de roubo de carros empreendida por ele e sua equipe. [Ele recebia uma demanda] “Eu to precisando de duas Hilux”. [Ele respondia] “É cinco mil reais a Hilux roubada”:  “Eles pedia pra amanhã, quando era de noite eu já tava com as duas, que eu já tinha minha equipe montada. [Aí essas equipe escala e leva [os carros] pra onde?] Eles leva pra shopping, estacionamento… Deixa lá, espera duas hora e meia. Se num estourou nada, é porque num tem rastreador não. De lá a gente leva pra casa e pronto, pros cara vir buscar. Daí é de onde vinha parte do meu dinheiro, entendeu?”

Pergunto-lhe como ele investia o dinheiro conseguido nos assaltos. Ele me contou que antes de ser preso, tinha comprado uma casa em um conjunto habitacional relativamente próximo ao GTN, tinha um moto incrementada e “um Corolla 2016, automático, lindão… clonado, lógico. Eu tô com duas doze automática de nove tiros e duas pistolas, tudo guardada. Eu conheço um cara, ele sai pra roubar todo dia, nunca caiu. Ele tem três mansão, três carro quitado, várias armas”. 

Pegando esse gancho, quero sublinhar que há uma divisão moral nas relações criminais entre os médios e grandes assaltos em comparação com os pequenos assaltos. Saci ajuda a explicar essa classificação: “Tem assaltante que faz pra enricar, mas tem uns que é os mané, só faz pra se afundar. Esses caba que rouba bolsa, toma celular, é fuleragi. [E o que é um assaltante considerado pra tu?] É um de banco, de colarinho, os mais mala, né. Vê não aqueles cara do assalto do banco. [O do Banco Central? – o maior assalto a banco da história brasileira ocorreu em Fortaleza, em 2005, e foram levados 164 milhões de reais] Ali foi dinheiro. Ali foi pra enricar, mah. É isso que eu penso, né, mah”. Camaleão navega pelos mesmos mares morais: “Tem que assaltar, se não num fica considerado. Mas num é assaltar cidadão, é assaltar carro forte, banco”. 

Goffman percebeu as mesmas questões em uma de suas pesquisas, dessa vez sobre o gosto por risco que alguns agentes têm mais que outros. Segundo ele, “os ladrões […] cuja habilidade sempre é exercida sob pressão, desprezam pequenos trombadinhas”. Parece-me, portanto, que a profanação ritual, para ser valorizada dentro das relações criminais, precisa ser em larga escala e em grandes proporções.

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A série Antropologia do crime no Ceará é publicada semanalmente no #siteberro. Veja abaixo os textos anteriores. 

artur@revistaberro.com / revistaberro@revistaberro.com

i. A dimensão ética na pesquisa de campo

ii. Pesquisando o “mundo do crime” e inserindo-se no “campo”

iii. Grande Tancredo Neves: formação dos territórios

iv. As relações sociais das camadas populares

v. A feira como arte da oralidade popular

vi. O favelês cearense

vii. Estabelecidos e outsiders: a favela dentro da favela

viii“Trabalhadores” e “bandidos”: entre separações e aproximações

ix. Sistema de relações sociais do crime: uma rede de ações criminais hierárquicas

x. “O dinheiro fala mais alto, [com ele] se torna mais fácil de fazer justiça”: A violência do aparelho judiciário

xi. “Não confio na polícia”: A relação de descrença entre a classe trabalhadora e os policiais

xii. A economia da corrupção que move a relação entre polícia e “bandidos”

xiii. “O crime nunca vai acabar por causa da polícia”: a participação policial decisiva nas relações criminais

xiv. Tecnopolítica da punição: A função econômica do encarceramento

xv. Estado punitivo-penal e a produção social da delinquência

xvi“Cadeia é uma máquina de fazer bandido”

xvii. A “escolha” é uma escolha? Compreendendo o ingresso nas relações criminais

xviii. Consumo, dinheiro e sexo: a tríade hedonista da carreira criminal

xix. Traumas, complexos e a luta por reconhecimento (parte I)

xx. Traumas, complexos e a luta por reconhecimento (parte II)

xxi. “Fura até o colete dos homi”: As armas como símbolo dominante

xxii. Os códigos morais da criminalidade favelada (parte I)

xxiii. Os códigos morais da criminalidade favelada (parte II) 

xxiv. “Mãezinha”: uma categoria local que põe em suspensão o ethos violento

xxv. “Pirangueiro”, “cabueta”, “boca de prata”, “corre de ganso”, “atrasa lado”: compreendendo algumas categorias negativadas da moralidade criminal 

xxvi. “O crack veio pra acabar com tudo”: o noia como um “zé ninguém”

xxvii. “Você conquista o respeito, você num impõe”: A liderança nas relações criminais 

xxviii. As “brigas de trono”: as disputas pelo comando territorial

xxix. Socialidade juvenil periférica em Fortaleza dos anos 1990/2000: Dos bailes funks às quadrilhas do tráfico

xxx. Crônica de uma guerra entre quadrilhas de “traficantes”

xxxi. O costume guerreiro da criminalidade pobre

xxxii. Traficante é aquele que nem pega na droga


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