“Por um trilho: memórias de resistência”



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(Foto: Fábio José)  Jornalista Danielle Fernandes acompanhou, durante quatro anos, as dificuldades dos moradores da comunidade Trilha do Senhor, em Fortaleza (CE), na luta para permanecer na própria casa; agora, ela precisa de ajuda para publicar o livro “Por um trilho: memórias de resistência“. 

A jornalista Danielle Fernandes está fazendo uma campanha na plataforma crowdfunding Benfeitoria, para publicar o livro “Por um trilho: memórias de resistência“. O objetivo é arrecadar fundos para a publicação impressa do trabalho, com lançamento previsto para fevereiro de 2016. A obra traz a história da comunidade Trilha do Senhor, em Fortaleza (CE), e retrata o conflito entre as comunidades do trilho e o Governo Estadual, em decorrência da implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto que iniciou em 2010. O livro é o resultado do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da jornalista na Universidade Federal do Ceará (UFC).

A comunidade Trilha do Senhor, que está localizada paralela à Avenida Almirante Henrique Sabóia (Via Expressa), fica entre as avenidas Padre Antônio Tomás e Santos Dumont. As ocupações pioneiras próximas ao trilho de carga datam da década de 1950, a primeira das três gerações que ali viveram tem origem interiorana. Um pedaço da Aldeota que chegou antes do que ela é hoje. Parte da comunidade está sendo impactada pelo VLT desde 2010 e, por isso, está sendo removida.

A jornalista Danielle Fernandes começou a apuração sobre o tema em 2011 e concluiu o trabalho no primeiro semestre de 2015. Foram quatro anos de apuração, visitas à comunidade, entrevistas e escrita do material. Após a defesa acadêmica, ela quer concretizar a publicação de forma colaborativa sem intermédio de editoras ou de editais públicos.

A campanha tem o objetivo de publicar 400 exemplares, dentre os quais 100 serão distribuídos a entidades e escolas nas proximidades da via férrea e em pontos de reassentamento das pessoas que já foram removidas pelo projeto. Para que o livro seja publicado de forma colaborativa, precisa-se de R$ 6 mil. A campanha está disponível no site da Benfeitoria até o dia 13 de dezembro, data máxima em que os interessados podem contribuir e ajudar na publicação do livro.

VLT Parangaba – Mucuripe

O VLT foi o carro chefe das gestões do governador Cid Gomes e esteve vinculado às obras da Copa FIFA 2014. Na Aldeota, beirando o bairro Papicu, a Trilha do Senhor foi uma das 22 comunidades atingidas pelo projeto ao longo da linha férrea que interliga a Parangaba ao Mucuripe. O VLT impactou 5 mil residências no projeto inicial. Até maio de 2014, o governo estadual desapropriou 2.265 unidades habitacionais, de acordo com relatório do empreendimento.

Marcadas para despejo

O livro, que é dividido em três capítulos (“Memórias de Resistência”, “Ameaça sobre capa de Copa” e “Vai Levando Tudo”), traz a descrição do projeto Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e a interligação dele com a Copa, além de pôr em memória os primeiros impactos da remoção da comunidade. A jornalista relembra o início da apuração.  “Quando eu cheguei lá em 2011, o VLT era uma ameaça. Quando eu retornei à comunidade, em 2013, ele ainda era apenas uma ameaça, pois as pessoas se negaram a fazer cadastro sem uma proposta de reassentamento nas proximidades. Porém, essa ameaça já tinha transformado a vida de muitos idosos que moravam por lá. Eles ficaram mais doentes e depressivos, inclusive uma idosa que eu entrevistei em 2011, faleceu”, afirma.

A militância dos moradores e de apoiadores contrários à remoção também é evidenciada. Danielle Fernandes, para elaborar o livro, participou do Movimento de Luta em Defesa da Moradia (MLDM), indo para as reuniões na comunidade Trilha do Senhor. A obra mostra também o cenário da comunidade entre casas demolidas e moradores a espera das indenizações, além da parte da comunidade que sobreviveu ao projeto.

Como participar da campanha?

Livro “Por um trilho: memórias de resistência

Onde: Plataforma Benfeitoria

Quando: Até 13 de dezembro

Como: Colaborar com qualquer quantia e, de acordo com o valor, receber recompensas como

o livro, o kit inspirado na história do livro e o caderno artesanal.

Por que: Divulgar informações sobre o processo que afetou a dinâmica da cidade e a remoção

coletiva de milhares de pessoas.

Mais informaçõeshttps://www.facebook.com/porumtrilho/

 


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