Resto de Futuro*



0 Comentários

(Ilustração: Rafael Salvador)

Por Vanessa Dourado

Com paixão, viverei o mundo
perdão aos que não ficaram
gratidão aos que permaneceram.

Viver-me é sobremaneira difícil
sinto com a alma e com o corpo,
muito mais que com o coração.

E não fujo para remediar o tempo
na mesma medida que amo
também parto a dor do desapego.

Sim, é um parto a partida
ela dói, mas reconstrói adjacências
e voltam, por vezes, a ser o que foram,
mas jamais são as mesmas.

Neste meu caminhar vocês me fazem gente
colocam-me nos trilhos da vida
vivem-me com surpresa, e nem sempre é bom.

E ainda bem que é assim.

Guardarei caixas de saudade no armário da memória,
não quero senti-las.
Nada pode ser pior para minha raça do que sentir isso
é quase uma doença.

E abro hoje meu encontro novo com algo que quis ser,
a gente nunca consegue,
Shakespeare tinha razão… o tempo é curto!

E ainda bem que é assim.

Se o tempo fosse longo, como poderia eu pensar no futuro?
viveria o hoje sem paixão
e isso é de uma desonestidade sem tamanho,
precisamos ser honestos com nós mesmos.

Um dos meus pedidos:
ser sempre o que for possível,
e que o meu possível seja suficiente para ser feliz.

* Poema será publicado no próximo livro da autora.  

Vanessa Dourado é poetisa e feminista latino-americana


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *