O Monte de Nada



0 Comentários

Por Rodrigo Lucena

Observo pontos de incandescência manipulada
Dependurados em troncos de concreto
E acompanhados de gigantes de madeira
Que, constantemente, sintetizam os nutrientes
Que vão alimentar o Monte de Nada.

Cotidianamente, num contínuo vai-e-vem,
Movimentam-se as máquinas de carne,
Por si só ou levadas pelos seus fiéis
Escudeiros de lata dotados de sobrenaturalidade,
Adquiridos através do grande Monte de Nada.

Sufocado, o verde ontológico remanescente
Agoniza em meio aos troncos de concreto
E aos gigantes de madeira, enquanto
As máquinas de carne se preocupam apenas
Com a reprodução do soberano Monte de Nada.

Moribunda, a geóide de magma,
E juntas com ela, as alienadas máquinas de carne,
Aproximam-se do seu fim derradeiro,
Amargando uma derrota iminente, mas ainda evitável,
Para o completo e vazio Monte de Nada.

Rodrigo Lucena é servidor da SEMACE, mestrando em Geografia (UECE) e “metido a artista” nas horas vagas


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *