Ao leste de lugar algum



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Pôr-do-sol em Jeri (Foto: Revista Berro)

Por Frida Popp

Ao leste de lugar algum, onde o mar é mais azul.
Ao leste, onde o sol queima a pele, deixando marcas.
Onde os passarinhos não voam. Flutuam por entre nuvens claras,
nos lembrando do que não se pode esquecer: a vida nos conduz e um
simples bater de asas leva a rumos completamente diferentes.
Ao leste, sob o céu azul.
Com gargalhadas de uma amizade que acalenta e ao som
das brincadeiras de uma tarde amena, percebemos a leveza da vida.
A simplicidade.
Não está, pois, a alegria do existir exatamente nisso?
Na beleza do que enxergamos
Na sutileza do que sentimos?
No leste, não há espaços para pesares ou rancores.
Vou-me embora para o leste!
Lá não sou amigo do rei.
Lá, com os braços estendidos e os pés fincados na areia, não sou nada além do que posso ser.
Não há orgulho, mágoa ou ambição.
Ao leste de lugar algum, podemos ser o mundo inteiro.
Podemos não ser nada, também.
Podemos ser.
Simples como um ponto final.

Frida Popp não gosta (e não sabe) de definições


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