Os idiotas (II)



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(Pintura: Iberê Camargo)

Por Vanessa Dourado

Já passado o momento da doutrinação midiática – coisa que não precisou de muito tempo, pois havia pouca capacidade analítica -, os idiotas começaram a fazer as reformas. Estas, que até então serviam para melhorar algo que não andava bem, passaram a ser um instrumento de lesa-inteligência, mas os idiotas doutrinados não podiam perceber o que estava acontecendo.

Alguém gritou que o papel higiênico acabaria rapidamente e que não haveria mais comida nas gôndolas dos mercados, todos alarmados resolveram apoiar as tais reformas, já imaginando como seria o mundo sem que suas necessidades básicas fossem atendidas. Mas também gritou alguém que as passagens para Miami ficariam mais baratas e que o caviar seria vendido a preço de banana. Um alvoroço, todos compraram o jornal do dia seguinte, aplaudindo as Santas Reformas.

Era preciso mais ainda, era preciso ser idiota desde pequeno, ainda no berço. Essa doutrinação era muito necessária, disse alguém. Resolveram dar um jeito nisso e em um banquete, que deixaria Platão envergonhado, foram felizes por duas décadas.

Vanessa Dourado é poetisa e feminista latino-americana


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