Ser tão



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Por Melina A. Aragão

Meio dia. O vento lançava redemoinhos de poeira, tingindo o tempo. Caatinga marrom borrada pelo verde dos juazeiros. Ela, de seu alpendre, contemplava a solidão silenciosa do sertão.

O peito fibrilava em desespero, tão calado… Seis filhos, um casamento de quarenta anos, uma terra seca. Ela era a terra.

O céu se encherá, pensou. Os açudes. Os buchos das mulheres. Tudo se encherá de água.

De dentro da casa, ouviu o farfalhar dos chinelos de sua filha no piso de cimento queimado.

Trazia seu bebê no colo. Escorou-se ao lado de Juanita, sim, assim ela se chamava.

Amparadas pelo parapeito do alpendre, à beira da caatinga famélica, três gerações contemplavam a solidão.

Melina A. Aragão é feminista e boêmia


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