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“Amanhã quero ser vento”: Michel Yakini dá voz à periferia em seu primeiro romance

Amanhã quero ser vento dá voz a personagens da periferia e traz temas como homofobia, aborto e violência contra mulheres (Foto: Sônia Bischain) 

Autor de livros de contos, crônicas e poemas, Michel Yakini – um dos nomes mais atuantes no movimento de literatura das periferias de São Paulo – lançou seu primeiro romance, Amanhã quero ser vento, que conta a história de Manandí, jovem mulher que deixa marido e filhas em uma pequena cidade e se muda para a metrópole em busca de si mesma. A protagonista enfrenta as durezas da vida na periferia e encontra amparo na amizade de uma recém-conhecida, Márcia, com quem acaba tendo um relacionamento amoroso.

O enredo é firmado em desencontros e desamores, em uma narrativa que dá voz a personagens da periferia e traz fragmentos de prosa poética do narrador. Texto arrojado e sensível de Yakini, que trata também de temas como machismo, homofobia, prostituição, aborto, drogas, violência contra as mulheres e as populações periféricas.

“Uma combinação explosiva de temas que atravessam muitas mulheres e são abordados aqui por um narrador transgênero sem demonstrar, em momento algum, a suspeita de um olhar masculino como pano de fundo”, registra a professora de Literatura Brasileira e Portuguesa na Universidade de Buenos Aires, Lucía Tennina, que prefacia a obra.

Capa Amanhã quero ser ventoNa construção narrativa do romance, o autor se vale de uma escrita muito próxima da oralidade e apresenta personagens cativantes como o botequineiro Sêobetolô, com suas observações perspicazes sobre as pessoas e a vida, a contadora de estórias Donanina, com seus “causos” que se avizinham da poesia, Wanda, a abortadeira, que faz programas sexuais para complementar a renda, entre outros.

O livro Amanhã quero ser vento está pode ser adquirido no site da 11 Editora (www.11editora.com.br).

O autor

Michel Yakini é escritor, artista-educador e produtor cultural. Colunista da revista on-line Palavra Comum (Galícia – Espanha) e cofundador do Sarau Elo da Corrente no bairro de Pirituba, que faz parte do movimento de literatura das periferias de São Paulo.

Desenvolve atividades relacionadas à cultura negra, periférica e criação literária, ministrando cursos, oficinas, palestras e recitais de poesia. Participou de atividades literárias em Cuba, Argentina, México, França, Alemanha, Espanha, Paraguai e Chile.
Autor de Desencontros (contos, 2007); Acorde um verso(poesia, 2012); Crônicas de um Peladeiro (crônicas, 2014) e co-organizador da antologia bilíngue on-line Letras e Becos – Literatura das periferias de São Paulo(2017).

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