Sobre abismos e utopias



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(Foto: Artur Pires)

Por Diane Southier

Espero que o abismo
do qual sinto estar me aproximando
de falta de alternativas
de contingência quase absoluta
continue se afastando como o horizonte
conforme eu caminho.
O horizonte
ele sim
pleno em possibilidades…
Tenho sentido um constante pesar
sobre até onde alcança minha visão nessa caminhada
condicionada pela máxima extensão do futuro
e sua limitação perversa pelo presente.
Se eu der um salto cairei no abismo
ou poderei transpô-lo?
Existe horizonte sem abismo?
No limite, a morte.
No limiar, a liberdade.
Só uma delas existe, a outra é utopia:
horizonte necessário, articulação saudável
entre o presente inescapável e o futuro [im]possível.
À minha utopia, paradoxalmente
parece nesse momento restar-lhe
apenas
o aqui e o agora.


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