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Minha Vida é uma arte

Um dos trabalhos artísticos de Wesley com fogo

Por Wesley D´Amico

Minha Vida é uma arte.

Tive que sujar as mãos de graxa, cortar lenha, derreter metais, e fazer joias, para um dia ser artista plástico, todas essas profissões me ajudaram com arte.

Usei a mecânica para fazer meus quadros com geometria.

Usei meus meses de lenhador para fazer meus cartões de visita de madeira.

Usei meus meses com fundição para fazer uma tela que resistisse ao fogo.

Usei meu curso de joalheria para fazer micro arte.

Comecei minha vida na graxa de Deus, isso mesmo, não é graça de Deus, é graxa mesmo, preta e suja, e nunca pensei em colorir minha vida, estava feliz sendo mecânico, mas a vida tinha planos para mim. Assim estou hoje, sendo um artista plástico com desafios de mercado, sem vender, sobrevivo da mecânica e uso o dinheiro da mecânica para conseguir manter a arte.

Não para por aí, quando eu tinha ateliê um senhor me disse que minhas telas eram de “nível galeria”. Então mandei e-mail para maioria das galerias de São Paulo, sem sucesso, recebi as respostas assim: “minha galeria está lotada”, “minhas paredes estão lotadas”, “o quadro de artistas está completo”, “sua arte não é perfil da galeria”, fora as outras que não responderam, mas não desisti, fui lá pessoalmente, de cara já escutei um “Wesley, não é o artista que vem até a galeria, quando ele é bom, a galeria vai até o artista”.

Outra coisa: para expor em galeria, tem que pagar, e não é barato e não tem garantia de venda. Desde 2004 trabalho com arte, moro atualmente no interior de São Paulo e nunca imaginei ser um artista plástico, quando morava em São Paulo sempre passava na frente de museus e nunca me chamou atenção e hoje saio de Mombuca para visitar museus de São Paulo.

Confesso que pela minha dificuldade de mercado e de críticas, a arte não me atrai por sua história e dificuldade. Mas aos 5 anos gostava de desmontar meus carrinhos para ver como funcionava e aos 10 fiz meu primeiro barco, ficou incrível, minha tia tentou vender e sem sucesso deixou em um bar para decorar e tentar vender, lembro que era muito caro, mas até hoje não sei que fim deu.

Para fazer esse barco caminhava por sete quarteirões para chegar a uma marcenaria e pedir folhas finas de madeira cerejeira. Depois da dificuldade de venda, acho que desanimei de fazer algo assim, mas lembro que quando peguei um ônibus com a minha tia para levar o barco para uma cliente, os passageiros perguntavam quem havia feito e me deram parabéns. Mas a cliente da minha tia não comprou o barco. Acho que era de um time de futebol que ela não gostou.

Sou Wesley D’Amico, artista brasileiro, nascido em 1978.

Conheça mais do trabalho do artista:

https://issuu.com/wesleydamico/docs/codigo_para_minha_alma 

wesleydamico@gmai.com

 

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