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Criança e Consumo lança campanha de denúncia contra o Mc Lanche Feliz

Ação baseia-se no exemplo de um cidadão brasiliense que denunciou a publicidade infantil abusiva da rede ao unir brinquedo a produtos alimentícios

Após constatar a exposição de brinquedos próxima ao balcão de atendimento de uma das lojas da rede de fast food McDonald’s em Brasília, um cidadão brasiliense denunciou ao Ministério Público a estratégia da empresa de direcionar publicidade às crianças. O Criança e Consumo, do Instituto Alana, foi procurado pelo órgão para contribuir com informações e, inspirado nessa ação, resolveu ajudar outros cidadãos a replicar a ação. O programa lançou a campanha “Abusivo Tudo Isso”, nas redes sociais.

A campanha propõe a assinatura de uma petição com denúncia para a Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça, com cópia para o SAC do McDonald’s, que trata dos principais argumentos pelos quais a prática da empresa de anunciar e comercializar brinquedos com o intuito de promover seus produtos alimentícios para crianças é abusiva, ilegal e deve acabar. Ainda, estimula que os participantes compartilhem a mobilização, de forma a alcançar um número maior de cidadãos.

“Nós recebemos, o tempo todo, mensagens em nosso site, redes sociais e e-mail de pessoas indignadas com as estratégias publicitárias abusivas direcionadas às crianças por essa rede de fast food. E a denúncia deste cidadão nos inspirou a criar uma ferramenta para que reclamações semelhantes cheguem a um órgão responsável por sua fiscalização. Queremos que as pessoas saibam do seu poder de mobilização e denúncia e que a empresa tome conhecimento do descontentamento gerado por suas ações”, explica Ekaterine Karageorgiadis, advogada e coordenadora do Criança e Consumo.

Já existe consenso, entre especialistas, de que a comercialização de brinquedos por redes de fast food estimula o consumo excessivo e habitual de produtos alimentícios com altos teores de sódio, açúcar e gorduras, sendo extremamente prejudicial à saúde das crianças. A obesidade infantil e as doenças crônicas associadas são um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Sem uma mudança de hábitos e práticas de mercado, em menos de uma década a obesidade pode atingir 11,3 milhões de crianças brasileiras.

Além disso, o fato de esses brinquedos serem exclusivos e colecionáveis faz com que a criança seja diretamente incentivada a consumir muitas “promoções” no curto espaço de tempo em que são oferecidas. Depois de conseguir o primeiro brinquedo da série, em geral, a criança quer completar a coleção e o apelo para que mãe, pai ou responsável compre os demais itens pode gerar estresse familiar.

Não à toa, o ministro do Superior Tribunal de Justiça, (STJ), Herman Benjamin, em julgamento de caso sobre publicidade direcionada a crianças, afirmou: “significa reconhecer que a autoridade para decidir sobre a dieta dos filhos é dos pais. E nenhuma empresa comercial e nem mesmo outras que não tenham interesse comercial direto, têm o direito constitucional ou legal assegurado de tolher a autoridade e bom senso dos pais”.

Vale lembrar que as famílias brasileiras se posicionam majoritariamente contra a publicidade direcionada a crianças, especialmente quando se trata de venda casada de brinquedos com produtos alimentícios não-saudáveis. A iniciativa é uma tentativa de dar voz à população no seu desejo  de defender a infância.

Recentemente, o Criança e Consumo lançou a campanha “Abusivo Tudo Isso”, para incentivar que pais, mães, responsáveis por crianças ou pessoas em geral (que discordem das ações de direcionamento de  publicidade abusiva ao público infantil), possam denunciar o MC Lanche Feliz ao Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor). A ideia da campanha é facilitar para que os adultos (que discordem da prática de anunciar e comercializar brinquedos com o intuito de promover seus produtos alimentícios para crianças) manifestem seu posicionamento, inclusive perante a empresa, que recebe uma cópia dos emails.

Conheça a campanha: http://criancaeconsumo.org.br/abusivo-tudo-isso/

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“A Escola é Nóis”: Berro facilita projeto de Educomunicação no Bom Jardim

(Foto: Geovana/ Revista Berro)

Olha que notícia massa, galera! Se assentem e tomem tento para lê-la! Ontem, 11 de setembro, iniciamos o “A Escola é Nóis”, um projeto de educomunicação e direitos humanos de 60 horas que será realizado pelos próximos três meses na Escola de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Santo Amaro, no Bom Jardim, bairro da zona oeste de Fortaleza (CE). A iniciativa é uma parceria entre o Instituto Dragão do Mar – por meio do Centro Cultural do Bom Jardim (CCBJ) – e a Berro.

Ao longo dos próximos meses, vamos desenvolver junto com os/as estudantes – uma turma de aproximadamente 25 discentes – a elaboração de um jornal escolar impresso, a montagem de uma rádio-escola, a criação de um blog, com acompanhamento nas redes sociais, e o gerenciamento de softwares para captação e edição audiovisual em dispositivos móveis (smartphones e tablets). A ideia fundamental da formação é que, ao final do projeto, os/as jovens, com média de idade entre 15 e 18 anos, além de pensarem a comunicação social a partir de uma perspectiva crítica e reflexiva, mantenham autonomamente a continuação dos produtos comunicacionais desenvolvidos (nas linguagens de impresso, rádio e internet) e estejam aptos a compartilharem os saberes, conhecimentos e técnicas aos/às demais colegas. Não é massa? A gente da Berro está super instigado, porque temos um montão de coisas a trocar com essas meninas e meninos, muito a aprender, muito a repassar!

A Lorena Estephany, de 17 anos, que cursa o 3º ano do Ensino Médio, também está instigada! Ela nos contou que resolveu fazer o curso porque queria ampliar seus conhecimentos, já que aprender coisas novas é algo que a motiva. “Comunicação é uma coisa que eu gosto”, comenta Lorena, com um brilho no olho que transmite toda sua potência juvenil. O Sterlan Moreira, também de 17 anos, que está no 9º ano do Ensino Fundamental, nos disse que, por mais que ele queira através do projeto aprimorar-se profissionalmente e aprender a falar em público, o principal mesmo é “conviver com as pessoas, fazer amizades novas”. De nossa parte, já ganhou amigos novos, viu Sterlan? Aliás, a fala do Sterlan é bem representativa. De quê adianta absorver novos saberes e conhecimento se esquecemos de cultivar a amizade nas relações interpessoais, né?

2O diretor da escola Santo Amaro, Marcos Matias, 36 anos, acredita na possibilidade da educação pública propor e formar estudantes com uma leitura crítica e dialógica sobre as questões sociais. É por isso que ele está dando todo o apoio ao projeto. “É preciso tratar esses meninos e meninas como gente, ter um olhar diferenciado para eles. Acredito que [com o curso] vão começar a refletir e elaborar melhor suas próprias questões, vão perceber o mundo através da linguagem, seja ela escrita ou oral”, diz Marcos.

A Berro é uma revista em movimento. Comunicação-movimento! Ela sai do papel, sai da internet, e vai ao encontro das pessoas, no rumo dos processos de construção coletiva, porque é nisso que acreditamos! Se, infelizmente, não temos dinheiro para lançar novas edições impressas (isso é uma peleja, minha gente!), não estamos parados. Caminhar nas trilhas da construção de um mundo justo, fraterno e igualitário é, possivelmente, a razão de existir dessa revistinha enxerida. Que tenhamos sempre a força da sonhação (sonho + ação)! Oxalá!

 

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Arte urbana como “manifestação necessária”

Por Artur Pires

Odylo Falcão rabiscava nas paredes de casa e da escola quando meninote. Ali começava a ser formado o artista que hoje pinta as paredes do Rio de Janeiro com cores, formas e sabores, compondo uma estética de feição singular, com forte marca autoral.

Já realizou três exposições, uma desenho, em pastel seco, e duas de pintura, em acrílico. Ademais, cria murais em paredes, muros, tapumes e outras superfícies, como pintura em porta de aço. Sempre que pode, rabisca palavras que viram crônicas e poemas. De acordo com ele, “as linhas do mundo vão guiando o seu olhar e você descobre um jeito novo de traduzi-las. Fiz cursos, conversei com artistas, mas procurei um olhar próprio, autoral, que me fizesse feliz com as minhas experiências”.

As referências artísticas de Odylo Falcão são transversais, do grafite ao desenho, da pintura à ilustração. Mas também as artes plásticas clássicas: “Volpi, Picasso, Matisse, Van Gogh e vários têm um lugar especial na minha memória gráfica”, conta. “Minha arte é autobiográfica, transformo meu filho Gabriel de 11 anos em personagem, assim como minha esposa Rita, e me represento nos pássaros, por achar que assim ganho toda liberdade para voar bem alto”, suspira alçando vôos sem asas.

Com relação à arte urbana, o artista acredita que “é uma manifestação necessária, e por vezes a única galeria de arte para muitos, por vários motivos. Minha mensagem é estética e tanto nas cores como no preto e branco, vou criando um mundo de formas simples, como uma grande ilustração a céu aberto. Se está na rua, um território livre, está exposto a todo tipo de crítica, e também é um agente transformador da paisagem e que leva reflexão além da melhora visual do local”. Por mais riscos nos muros! Gritos escritos nas paredes das urbes!

Mais sobre o artista:

CAPA - SOM D_LUNA - NESSE TREM

Som D’Luna lança seu primeiro CD apostando na renovação da música popular brasileira

Gravado em João Pessoa, com lançamento nas plataformas digitais e em formato físico, “NESSE TREM” reúne composições e arranjos dos gêmeos paraibanos Vitor e Diogo Luna, em 11 faixas que passeiam pelo baião, samba, soul, funk e balada

A nova MPB ganha frescor paraibano em dobro com o lançamento do disco NESSE TREM, do Som D’Luna, formado pelos gêmeos Vitor e Diogo Luna. De João Pessoa, os irmãos, que decidiram caminhar juntos pela música, lançam o seu primeiro CD gravado em estúdio, totalmente autoral, renovando o cenário nacional da música popular brasileira, em composições que vão desde o baião ao soul/funk.

Com 11 faixas e produzido no estúdio Gota Sonora, em João Pessoa, o NESSE TREM carrega uma variedade de estilos diferentes, conectados por timbres, histórias, texturas e arranjos. Um disco que guarda os olhares dos gêmeos sobre a vida, sobre os amores, as paixões que os fazem vibrar e acordar dispostos, sobre enxergar com esperança cada recorte das horas. “Esse disco é uma tentativa de escancarar uma relação entre nós e as sonoridades que nos fizeram chegar a decisão da música”, afirmam. “Dormimos e acordamos pensando em dividir aquilo que amamos fazer e achamos que não tem algo que descreva melhor esse momento do que: uma incessante busca de sempre fazer música com o coração. Fazer esse trabalho com toda entrega possível”.

Sob direção geral do paulista Jader Finamore (os Fulano), mixagem de Renato Oliveira e arranjos de Vitor Luna e Diogo Luna, Jader Finamore e Ítalo Viana (baixista), o disco foi finalizado junto a uma campanha bem-sucedida de financiamento coletivo. Fazem parte do disco ainda, os bateristas Thiago Jorge, Herbert José e Gilson Machado, os tecladistas Uaná Barreto e Renato Oliveira, o percussionista paulista Luccas Martins (Serelepe), além do saxofonista Joab Andrade, o trompetista Emanoel Barros, o trombonista Sabiano Araújo, o violoncelista Tom Drummond, o flautista Renan Rezende e o clarinetista Thompson Moura. Violões e guitarras por conta dos irmãos gêmeos.

Vitor e Diogo Luna

Nascidos e residindo em João Pessoa (Paraíba), os irmãos começaram sua história profissionalmente com apresentações em bares locais, casamentos, recepções e festas fechadas. Com o tempo, um repertório autoral ganhou corpo e, em 2013, uma nova percepção sobre o mercado se consolidou buscando novos caminhos, que vieram em seguida, em 2014, com uma apresentação na Usina Cultural Energisa (João Pessoa –PB) e, logo depois, a pedido de um produtor musical, um período em Portugal, onde realizaram apresentações em diversas casas, inclusive na Avenida da Liberdade, principal avenida de Lisboa.

De volta ao Brasil, gravaram em home studio e de forma independente o EP “Secura”, formado por 7 faixas autorais e executadas de forma acústica, basicamente vozes, violões e, em algumas canções, percussão. O EP foi importante para os irmãos se tornarem conhecidos na cidade, com músicas tocando em diversas rádios locais e virtuais, com destaque para o single “Mais Ninguém”, gravado depois da estreia do disco, atingindo uma divulgação inesperada na programação diária das emissoras e redes sociais.

Onde ouvir:

Youtube

https://www.youtube.com/watch?v=XHoO1QzEQWQ&list=PLouDNR7V98FIcx9PKvS2g2wbLgjhTywvz

Spotify

https://open.spotify.com/artist/4aEdUmMWyf5gu6Zw58Z96M?si=R6sfOaMlRCCRiI_KrImWfg

Deezer

https://www.deezer.com/en/artist/14480423

Imusic

https://itunes.apple.com/br/album/nesse-trem/1367777775

Download completo: www.somdluna.com.br

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Eduardo Galeano: um contador de histórias escondidas

Por Vanessa Dourado

A América Latina e suas Histórias mais profundas, mais sentidas pelos corpos e pelas almas de seus habitantes. Esta é, sem dúvida, a temática mais marcante no trabalho do escritor uruguaio Eduardo Galeano.

As palavras peregrinas de Galeano levam o leitor para uma viagem pelos detalhes culturais dos territórios e para um interessante despertar de ideias. As provocações articuladas com uma suave ironia e duras críticas com relação à localização sócio-política da América Latina no mundo são disparadores para reflexões e questionamentos.

Muitas negações, rechaços e denúncias estão presentes na literatura do escritor – que gostaria de ter sido jogador de futebol. A crítica à igreja como instituição colonizadora, alienante e normalizante, o desprezo pelo academicismo e o olhar sensível sobre a condição das mulheres na sociedade, são características marcantes e presentes em toda sua obra.

Os desenhos que ilustram as surpreendentes páginas de seus livros guardam uma vontade de resgatar antepassados e fazem um despretensioso culto ao misticismo ameríndio.

Ler Galeano é como adentrar a uma cozinha na qual se prepara variados pratos e onde se sentem vários aromas diferentes. Seu peculiar estilo de escrever transita entre a poesia, o relato e jornalismo-histórico. Seus textos relatam a dura realidade vivida pelos povos latino-americanos, a herança colonial deixada pelo descobrimento das terras que nunca foram perdidas, mas também relatam as resistências, a alegria, as cores e os sons daqueles que entendem seus territórios como extensão dos próprios corpos.

Os vínculos afetivos, presentes em muitos de seus textos, são relatados através das relações entre as personagens, pelas formas de se afetarem, pela simplicidade complexa de suas relações corpóreas, uma conversa entre corpos traduzida em insuficientes palavras.

O autor é, sobretudo, um curioso que compartilha suas descobertas. Isso faz com que a leitura de seus livros seja uma experiência única. Ler Galeano é desvendar as gavetas de seu imaginário e de sua existência intelectual nos mais diversos níveis – desde o mais sensível ao mais articulado diagnóstico da realidade concreta. No entanto, a sensação é a de ter uma conversa relaxada em um café com algum amigo querido, ouvir suas experiências cotidianas e as impressões que lhe atravessam.

Apesar da difícil tarefa escolhida – ou pela qual foi escolhido -, o autor consegue não resignar-se e transforma cada frase de seus característicos curtos textos em uma espécie de esperança-poética-realista que caminha rumo a uma utopia que permite sonhar de olhos abertos.

O vocabulário simples – e nem por isso pouco articulado – revela um caçador de palavras, e de Histórias, que quer ser compreendido, mais que precisamente lido ou reconhecido. Todavia, é difícil não reconhecer sua autenticidade e sua impactante forma de fazer com que o leitor questione seus próprios paradigmas. Para ler Galeano é necessário estar preparado para questionar a si mesmo, para desconstruir e reconstruir ideias e para colocar-se também como escritor de uma História coletiva, escrita no agora.

Vanessa Dourado é escritora, bissexual e feminista latino-americana

*Publicado originalmente na revista portuguesa InComunidade

FNDC lança relatório sobre violações à liberdade de expressão

Por FNDC

FNDCCom quase 70 casos relatados, documento será encaminhado a organismos internacionais de direitos humanos

Na semana em que a campanha Calar Jamais! completa exatamente um ano de lançamento, o Fórum Nacional pela Democratização (FNDC) publica o balanço das violações à liberdade de expressão registradas ao longo desse período. O relatório “Calar Jamais! – Um ano de denúncias contra violações à liberdade de expressão“, disponível em versão digital, documenta cerca de 70 casos apurados, organizados em sete categorias: 1) Violações contra jornalistas, comunicadores sociais e meios de comunicação; 2) Censura a manifestações artísticas; 3) Cerceamento a servidores públicos; 4) Repressão a protestos, manifestações, movimentos sociais e organizações políticas; 5) Repressão e censura nas escolas; 6) Censura nas redes sociais; e 7) Desmonte da comunicação pública.

O conjunto das violações comprova que práticas de cerceamento à liberdade de expressão que, já ocorriam no Brasil – por exemplo, em episódios constantes de violência a comunicadores e repressão às rádios comunitárias –, encontraram um ambiente propício para se multiplicar após a chegada de Michel Temer ao poder, por meio de um golpe parlamentar-jurídico-midiático, que resultou na multiplicação de protestos contra as medidas adotadas pelo governo federal e pelo Congresso Nacional.

São histórias de repressão que se capilarizaram em todas as regiões, em cidades grandes e pequenas, praticados pelos mais diferentes atores. Além das tradicionais forças de segurança e de governos e parlamentares, o autoritarismo da censura tem chegado a grandes empresas, direções de escolas até a cidadãos comuns, que tem feito uso do Poder Judiciário para calar aqueles de quem discordam. Assim, manifestações de intolerância religiosa, política e cultural, fruto do avanço conservador no país e de um discurso do ódio reproduzido muito tempo e de maneira sistemática pelos meios de comunicação hegemônicos, têm se espraiado.

Como lembra a apresentação do relatório, casos como o do jovem pernambucano Edvaldo Alves, morto em decorrência de um tiro de bala de borracha enquanto protestava justamente contra a violência, ou do estudante universitário Mateus Ferreira da Silva, que teve traumatismo craniano após ser atingido com um golpe na cabeça durante manifestação em Goiânia, deixaram de ser raridade. A publicação também traz o registro da invasão da Escola Florestan Fernandes, do MST, pela polícia; da condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães; e do flerte de Temer com a suspensão dos direitos constitucionais, por meio do decreto presidencial de 24 de maio passado, que declarou Estado de Defesa e autorizou a ação das Forças Armadas para garantir a “ordem” no país.

Na avaliação da Coordenação Executiva do FNDC, desde o lançamento da campanha Calar Jamais!, o que se registrou foi assustador. “Denúncias chegavam constantemente, e cada vez mais diversificadas. Não era apenas a quantidade de casos que alarmava, mas os diferentes tipos de violações, que se sucediam progressivamente, cada vez mais graves”, afirma a entidade em trecho de apresentação do relatório.

O mais preocupante é que os casos sistematizados pelo Fórum relatam apenas as denúncias que chegaram até à campanha, especialmente em decorrência da sua própria visibilidade na mídia e na internet. Pelo quadro apresentado, portanto, é razoável imaginar que dezenas de outros episódios certamente ocorreram e não alcançaram qualquer repercussão no país. Outros seguem em curso, como projetos de lei para proibir manifestações artísticas ou estudantes que ainda respondem a processos por terem ocupado escolas contra a PEC 55. Também segue o desmonte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde os registros de assédio moral e censura contra jornalistas e radialistas, praticados pela direção nomeada por Temer, são quase diários. Tudo diante da omissão ou conivência de quem deveria defender a liberdade de expressão no país.

Além de cobrar publicamente a responsabilidade dos agentes internos responsáveis pelos ataques à liberdade de expressão constatadas, a campanha Calar Jamais! e o FNDC pretendem levar o relatório para autoridades nacionais e organismos internacionais de defesa de direitos humanos. E, assim, quem sabe, condenar o Estado brasileiro nas cortes internacionais por estas violações.

Baixe em anexo o relatório “Calar Jamais! – Um ano de denúncias contra violações à liberdade de expressão”.

Conheça a campanha, denuncie, divulgue e compartilhe!

Sem liberdade de expressão, não há democracia!

mulheres

Curso sobre encarceramento feminino está com inscrições abertas

Por Alma Preta

As inscrições para o curso online “Marcadores Sociais de Mulheres Encarceradas: gênero, classe, raça, sexualidade e etarismo” estão abertas até o dia 29 de Junho. O curso será realizado a partir do dia 20 do mesmo mês e será ministrado pela professora e antropóloga Isadora Assis Bandeira, abordando o sistema prisional a partir de classe, raça, gênero e sexualidade, utilizando discussões antropológicas e sociais de interseccionalidade.

Disponibilizado na plataforma Mooddle, o curso é realizado pelo Coletivo Di Jeje, coordenado pela pesquisadora Jaque Conceição.  O objetivo é compreender a realidade de mulheres encarceradas, com ênfase na mulher negra, maioria no sistema prisional feminino brasileiro. Com essa distinção, deve abordar a possível diferença de intensidade de punição.

Isadora de Assis Bandeira,  curadora do curso, é graduada em Antropologia pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). O foco da formação da pesquisadora é a “Diversidade Cultural Latino-Americana”, com especialização em gênero, diversidade sexual, raça e encarceramento e  mestrado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

O Coletivo Di Jeje oferece cursos com temas associados à condição da mulher negra e da comunidade negra, cujo objetivo central é a mudança da realidade. “O que a gente espera é que os nossos cursos tragam elementos para a compreensão e o avanço da realidade. No caso da mulher negra e da mulher negra encarcerada, a perspectiva do curso é analisar essas condições para encontrar formas de avançar e modificar essa realidade”, afirma Jaque Conceição, pesquisadora e coordenadora do curso.

Para ela, a política de encarceramento em massa é utilizada em diversos países como processo de limpeza de pobres e miseráveis da sociedade: “No nosso país, por causa da questão racial e da diáspora africana, esse encarceramento em massa se faz com a população negra, mas em países como a China, a Índia, e outros da Ásia e até da própria África, a política de encarceramento é uma política de limpeza da pobreza e da população vulnerável. É um desenho do capital mundial, não é uma coisa que só acontece no Brasil”.

Apesar de ser uma estratégia geral observada no mundo, a coordenadora acredita que é necessário observar as especificidades brasileiras, em especial a da mulher negra, para compreender os processos de maneira apurada: “A invisibilidade trazida pelo racismo intensifica a necessidade dessa discussão da mulher negra no sistema prisional. É muito mais [uma forma de] compreender quais são os processos que o racismo desdobra dentro da lógica da justiça, uma vez que todos os sistemas coercitivos ou de controle sempre vão ser uma resposta às demandas que o capitalismo traz. Ora de inculcação, ora de conformação, ora de manipulação dentro da lógica do modo de produção. Então o processo de analisar as condições das mulheres e negras dentro do sistema prisional é pensar como se dá essa lógica do racismo e do machismo”.

Você pode realizar sua inscrição no seguinte link: https://goo.gl/nIxLvR.

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Curso online debate perspectiva brasileira no Feminismo Negro

Coletivo Di Jejê pretende abordar bases teóricas, demandas atuais e os movimentos políticos pautados pela vertente dentro da realidade brasileira (Foto: divulgação)

Vinícius Martins

O Feminismo Negro tornou-se importante campo de debates e afirmações para lutas históricas das mulheres negras no Brasil. Entender suas peculiaridades e bases teóricas em uma perspectiva brasileira é a proposta do curso online “A história do Feminismo Negro no Brasil”, do Coletivo Di Jejê. As inscrições vão até o dia 10 de maio e podem ser feitas aqui.

Diferente das concepções tradicionais de feminismo, o Feminismo Negro busca discutir gênero, raça e classe conjuntamente. De modo distinto ao de mulheres brancas e homens negros, as mulheres negras possuem demandas sociais específicas.

A atividade fica disponível na plataforma Moodle a partir do dia 15 de maio. As aulas podem ser feitas de acordo com a rotina dos participantes, durante os 45 dias de curso. Dividido em quatro módulos, o conteúdo terá apoio e tutoria de Jaqueline Conceição, articuladora do Di Jejê.

Ela afirma que o curso pretende delimitar as demandas e pontos de vista sobre o feminismo negro a partir de uma ótica brasileira: “o campo do feminismo negro no Brasil, do ponto de vista do fazer acadêmico, é um campo em disputa e também é um campo em aberto. Não é um campo metodologicamente demarcado e configurado. Há uma influência muito grande do pensamento norte-americano nas pesquisas e no modo que essa pesquisa é feita pelas pesquisadoras brasileiras”.

O objetivo do curso é apresentar como o Feminismo Negro se configura e se organiza do ponto de vista acadêmico. A atividade toma como base um resgate histórico inerente a luta de mulheres negras no Brasil.

De modo geral, a luta negra no país se pauta de uma perspectiva ancestral, através do culto, dos costumes, modos de vida e da resistência política, cultural e histórica. “Um curso que paute o feminismo negro pressupõe entender o processo de luta e articulação das mulheres negras, seguindo a premissa dessa ancestralidade, que faz parte do nosso modo de ser e estar aqui no Brasil”, afirma Jaqueline.

Alma Preta

Acompanhe também a Alma Pretauma agência de jornalismo especializado na temática racial do Brasil.

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Articulação Antinuclear do Ceará lança carta ao IBAMA para que licenciamento ambiental de mineração de urânio e fosfato no Ceará seja cancelado

Por Thiago Silveira

Formada por movimentos sociais, grupos de pesquisa e comunidades do Sertão Central, a Articulação Antinuclear do Ceará (AACE) atua desde 2011 denunciando os impactos do Projeto Santa Quitéria, empreendimento que pretende explorar a Jazida de Itataia, a 222 Km de Fortaleza, para produzir anualmente 1.600 toneladas de concentrado de urânio e 1.050.000 toneladas de derivados fosfatados destinados à energia nuclear e ao agronegócio. Para visibilizar as irregularidades do projeto, que está em processo de licenciamento ambiental no IBAMA, a organização acaba de lançar uma carta à sociedade.

O documento aponta que o Projeto Santa Quitéria atingirá diretamente 156 comunidades camponesas, mais de sessenta municípios e três bacias hidrográficas do Ceará, consumindo 1 milhão e 100 mil litros de água por hora. O gasto equivale a 125 carros-pipa a cada sessenta minutos e corresponde a um aumento de 400% sobre a demanda do Açude Edson Queiroz, de onde se pretende retirar a água através de uma adutora. Enquanto isso, assentamentos próximos à jazida sobrevivem com 14 carros-pipa por mês.

Além da injustiça hídrica, a carta assinala que o Projeto Santa Quitéria deixará pilhas e barragem de rejeitos com mais de 29 milhões de toneladas de metros cúbicos, material radioativo que será espalhado pelo estado e provocará a contaminação das águas, da vegetação, do solo e dos alimentos. Apresenta, ainda, as diferentes pesquisas que indicam a relação entre exploração de urânio e aumento dos casos de câncer.

A advogada Renata Maia, do Coletivo Flor de Urucum, é uma das redatoras do documento e alerta que Fortaleza também estará na rota de contaminação, pois o concentrado de urânio e os derivados fosfatados produzidos em Santa Quitéria serão destinados, por via rodoviária, até o Porto do Mucuripe. “No total, estão programados quatro carregamentos de concentrado de urânio por ano, cada um com 25 contêineres que levarão 15 toneladas de produtos radioativos para a capital cearense. Apesar disso, estudos do Núcleo Tramas (UFC) revelam que a INB e a Galvani, proponentes do empreendimento, não caracterizam Fortaleza como área diretamente afetada pelo projeto e sequer enviaram ao IBAMA um Plano de Segurança para o transporte dos produtos”, destaca.

A carta ressalta, ainda, que, em setembro de 2016, o próprio IBAMA emitiu um Parecer Técnico contrário ao empreendimento. O Parecer atesta, entre outras irregularidades, a não comprovação da viabilidade hídrica, a péssima localização das pilhas de rejeitos, a ausência de medidas de mitigação quanto à possível contaminação das comunidades mais próximas e a falta de autorizações do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear). Mesmo assim, até hoje, a Direção do IBAMAnão se pronunciou formalmente.

“Apesar das falhas dos estudos apresentados pelas empresas e dos impactos socioambientais – reconhecidos, inclusive, pelo IBAMA -, o Projeto Santa Quitéria não tem sido discutido com a população e a Direção da autarquia ambiental ainda não se manifestou sobre o arquivamento de seu licenciamento”, declara Iara Fraga, do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM-CE).

“Diante disso, a carta da AACE sintetiza as principais irregularidades do Projeto Santa Quitéria e convoca o apoio nacional e internacional para requerer à Direção do IBAMA o indeferimento da mineração de urânio e fosfato no Ceará”, conclui Erivan Silva, que também integra o MAM-CE.

O documento estará disponível para assinaturas de instituições e pessoas físicas até o final de abril e poderá ser acessado no site e na página do Facebook do Coletivo Flor de Urucum: www.urucum.org. As assinaturas também poderão ser enviadas para coletivourucum@gmail.com.

Articulação Antinuclear do Ceará

ibama2Compõem a Articulação Antinuclear do Ceará (AACE) as comunidades do entorno da Jazida de Itataia, o Movimento de Trabalhadores(as) Rurais Sem Terra (MST), o Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Cáritas Diocesana de Sobral, o Coletivo Flor de Urucum – Direitos Humanos, Comunicação e Justiça e o Núcleo Trabalho, Meio Ambiente, Saúde (TRAMAS), da Universidade Federal do Ceará. Desde 2011, a AACE atua com a defesa dos direitos territoriais das populações que podem ser atingidas pela mineração de urânio e fosfato no Ceará e, desde 2016, está à frente da “Campanha Ceará Antinuclear: em defesa da vida, da água e por justiça ambiental”. Entre suas principais atividades, destaca-se a promoção de espaços de intercâmbio de experiências, a formação em direitos humanos e a difusão de informações para a sociedade.

Mais informações:

Renata Maia (85 9 9600.6066) – Advogada do Coletivo Flor de Urucum – Direitos Humanos, Comunicação e Justiça.

Iara Fraga (85 98126.5543) – Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

Reprodução Facebook Mateus Leandro 03

Sabiaguaba Lixo Zero

Autogestão de coletivo promove limpeza do Rio Cocó em Fortaleza

Por Dani Guerra

Assistir ao sol se pondo no Rio Cocó na mata é de alegrar o coração. A beira do rio que corre para o mar atrai turistas e moradores para as barracas na areia. No entanto, entre o paredão e o lounge, a poluição resultante da ação humana começa a afetar as vidas no rio e entorno. Sentindo o sumiço dos siris, caranguejos e peixes, um grupo de nativos da comunidade Boca da Barra, pescadores submarinos e de mergulhadores organiza o Coletivo Sabiaguaba Lixo Zero.

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Foto: Nil Cerqueira

 

“A gente tem uma visão totalmente diferenciada de uma pessoa que vem para praia”- reflete Roniele Sousa, nativo da Sabiaguaba e coordenador da ação – “estava pescando e sempre vinha lixo na tarrafa, começamos a articular essa limpeza porque sabemos que quando a gente limpa o rio também limpa a nossa casa”.

As fotos na rede social de Mateus Leandro contrastam a beleza da foz do rio e o pneu de trator tirado do fundo dele. De acordo com o pescador submarino, os sacos não foram suficientes para tanto lixo, necessitando outros encontros. Interrogado sobre o que mais chamou a atenção dele no primeiro dia de limpeza, relembra: “Seringas com agulhas, numa área de 50 metros”.

Reprodução Facebook Mateus Leandro 02
Foto: Reprodução Facebook

“A poluição no Rio Cocó não se produz sozinha, a poluição somos nós, os seres humanos, que achamos que um papelzinho de bombom, ou uma garrafinha não vai fazer a diferença, mas aquilo vai se acumulando nos lugares, no fundo do rio e vai matando a vida que ali existe” – questiona Mateus. Enquanto isso, os peixes e os mariscos migram: “Eles vão para o mar que lá mesmo sendo poluído não é tão poluído como a foz do rio que recebe o esgoto e a sujeira dos banhistas”.

O Coletivo Sabiaguaba Lixo Zero mostra a possibilidade de coexistência entre populações tradicionais e áreas de conservação ambiental. Em 2016, o Governo do Estado do Ceará contestou a permanência de 150 pessoas da comunidade Boca da Barra da Sabiaguaba que estariam dentro da poligonal do Parque do Cocó. Após mobilização popular e institucional, Roniele explica que os moradores estão à espera do decreto, que incluirá artigo garantindo a permanência da comunidade.

A ideia do Sabiaguaba Lixo Zero começou com uma ação, virou coletivo e, agora traz articulação de movimentos para a preservação das áreas verdes da cidade.  Os números divulgados na página do projeto alarmam, mais de 1700 quilos de lixo retirados das margens e manguezal do Rio Cocó e da Praia da Sabiaguaba. Sacolas, garrafas e outros descartáveis são destinados a cooperativa de catadores, uma parceria com o Projeto Verdeluz.

Para Roniele, a novidade rende conscientização: “Quando você chega na beira da praia, todo mundo quer saber o que está acontecendo, e a gente começa a falar do lixo, você começa a ver crianças, adultos colhendo lixos, é uma parte interessante porque a pessoa que está vendo o lixo”.

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