mergulho interior

A compreensão da nossa mente como o universo interior

Bruno Falcão

O universo está em expansão constante, várias energias se chocam gerando conflitos, e a partir destes surge a expansão. A teoria do Bing Bang ou “a grande expansão” – o conflito de energia cósmica gerou o universo, através desta cosmo-energia a Via Láctea surgiu e continua se expandindo constantemente. A explosão de energias ou pensamentos (no caso interno) nos possibilita uma expansão do nosso próprio universo – a expansão da mente – e não a destruição do ser, como nós, seres humanos, interpretamos .

Através dos conflitos de pensamentos, problemas, questionamentos, ou simplesmente embate energético, surge a oportunidade da energia cósmica interna de cada ser expandir-se, evoluir. Jesus Cristo, na sua parábola do fermento, nos fala o seguinte: ”O reinos dos céus é semelhante a um fermento, em que uma mulher meteu três medidas de farinha até ficar tudo elevado”. O fermento faz a massa crescer, imaginemos que esse fermento seja a energia cósmica do universo, que está dentro de cada um de nós: em contato com a matéria esse choque de forças gera crescimento.

Nesse sentido, olhemos cada vez mais para dentro de nós, porque nossos conflitos, os problemas internos são a chave para nossa evolução. O choque de perguntas internas nos expande para uma compreensão maior do nosso universo particular – a mente! Jesus nos ensina em mais uma parábola chamada “A videira e seus ramos”, em que ele fala sobre o corte dos ramos ruins, pois só assim iremos gerar ramos bons. Esse corte só é gerado a partir de sofrimento desenvolvido através de conflitos internos, crises existenciais. Nosso universo interior se choca, gerando a oportunidade do crescimento da nossa energia cósmica.

Analisando a dualidade corpo e alma, a imperfeição do corpo, da matéria (do ego!), compreende esse choque energético como um momento de destruição. O corpo, na sua pequenez, não suporta a força gerada a partir dessas energias. Se nos apegarmos à consciência de corpo, matéria ou ego não compreenderemos com clareza esse choque e muitas vezes encararemos o conflito de forma autodestrutiva, entorpecendo nossa alma com raiva, drogas, etc. Esse tipo de energia mal canalizada faz com que destruamos nosso universo particular – a mente. Porém nossa alma, quem realmente somos, o verdadeiro ser, a energia inacabada que foi criada e se desenvolve cada vez mais a partir desses conflitos, consegue transcender o choque cósmico que o corpo pensa ser destruição encarando tudo como um único momento de (re)criação, expansão e crescimento. Mas para isso precisamos estar cientes de quem somos, precisamos estar fortes para poder enxergar e aproveitar esse momento cósmico expansivo no seu real sentido. O universo em sua perfeição compreende o verdadeiro motivo desses conflitos, interpreta de forma natural e simplesmente cresce, pois segue o fluxo energético. O embate da energia cósmica (pensamentos) gera vida, gera luz nova e o crescimento do universo se faz presente de forma interna ou externa.

Quando nossa energia mental se choca através da dor e de questionamentos essa é a verdadeira hora de crescer e não autodestruir-se. Aproveitamos a dor humana como um trampolim de crescimento espiritual. A morte do ego ou o esquecimento que somos corpo é o que gera essa dor, a percepção de que somos mais incomoda que pensa que é menos(alma mais corpo menos). O filósofo e teólogo brasileiro Humberto Rohden, em seu livro Sabedoria das Parábolas, explica que através dos erros, de pensamentos, de conflitos de energias internas podemos chegar à verdade divina. Assim possuímos dois caminhos para resolução dos conflitos existenciais: crescer espiritualmente ou destruir-se. Jesus não é o único, vários mestres espirituais em toda a História falaram e falam sobre o assunto. No livro sacro hindu Bhagavad Gita, Krishna ajuda o príncipe Arjuna, o ser humano, a resolver seus conflitos internos, dando-o suporte para que canalize sua crise existencial para uma expansão verdadeira da mente.

Essa verdade cósmica está para todos que se permitam senti-la. Essa é a verdadeira intenção de Deus para com nós: a expansão da consciência humana para a consciência cósmica. A união é chave de tudo, o coletivo e o individual devem andar juntos, pois estamos todos inseridos no mesmo cosmos, somos filhos da mesma fonte energética que criou tudo. “Faça-nos sentir a alma da terra dentro de nós, pois assim sentiremos a Sabedoria que existe em tudo” (Jesus Cristo).

 Bruno Falcão bebeu da fonte chamada “Rua” e sentiu os efeitos colaterais do mundo, viu um mundo doente, e busca um antídoto pra amenizar o que já está consumado

747_arte_grito

Dura Realidade

(Ilustração: “O Grito“, de Edvard Munch)

 

Rafael Cavalcante Pinheiro

 

Desde muito criança

Quis ser super-herói

Mudar o mundo

Saber que lá no fundo

Fiz algo por alguém

Necessidades mundanas

Destruíram meu desejo

O “salvamento de pessoas”

O “mostrar atitudes boas”

Caindo no esquecimento

Tenho que ir, desculpa

Vou sair por um momento

Hoje é dia de pagamento

 

Rafael Cavalcante Pinheiro: “Desculpem minha métrica. Desculpem meus temas. Deixei a mão de lado e permiti ao coração que escrevesse”

camila pignanessi

Construção

(Foto: Camila Pignanessi)

Débora Suelda

 

A nossa casa.

O nosso pão.

O filósofo mais lindo.

 

Quem diria?

É tanto amor!

É tanto, amor.

 

Eu amo,

Cada gesto teu.

Cada maçã vermelha.

Em todo começo da noite.

 

Débora Suelda é professora, psicóloga nas horas vagas, e expressa os sentimentos que tem do mundo, quase sempre, através de poemas

poesia silenciosa

Prática de “euzar”

Vanessa Dourado

E chega um momento na vida – por motivo desconhecido ou ainda não conhecido – em que queremos estar quietos. Tal qual um livro muito lido e já cansado de ser manuseado, deliciado, anarquizado, apreciado, dividido, solitarizado, comunhado, achado, querido, maldito e bendito.

Queremos estar sós na prateleira tendo somente a companhia daqueles outros livros, que também cansados de tanta troca, querem a reclusão e o silêncio, sem muita explicação, filosofia ou ciência canibal. Este livro deixa de ser um objeto importante que o mundo usa para entender-se, passa a ser um mero conhecedor e deleitador de si, lendo a si mesmo e entendendo suas próprias letras.

Alguns vão chamar de depressão, outros dirão que é crise, e os mais sensíveis chamarão de momento introspectivo. Eu chamo de “euzar” e no meu dicionário isso significa sentir os próprios ossos, o peso do ar e o limite das palavras, além de ser também encontrar o eu perdido no mundo da dinâmica débil que faz com que eu me perca de mim mesma a todo momento.

Nessa minha prática de euzar, sinto-me como Quintana (d)escreveu: o excesso de gente impede de ver as pessoas; e eu quero ver algumas obras específicas dessa prateleira de livros.  Quero essa conexão aprazível do som das cordas do violão com o ar que transforma o silêncio em poema, quero perder as horas sem preocupar-me em quanto elas vão me custar, quero saber o que estes meus cabelos brancos e esta bagagem pesada têm a me dizer.

Vanessa Dourado  é poeta e feminista latino-americana

(Foto: Mika Holanda

A chegada de Mário Gomes no céu (parte 1)

(Foto: Mika Holanda)

 

Daniel Sansil

 

daí,

se entupiu de plástico e riu

se chocou contra um leve asteroide

e foi dormir

 

talvez,

pressentisse um vulto do bem

mas o certo

em sua conta

eles eram 5 ou 6

 

trancou,

de um pulo desviou de dois

segurou bem forte no rabo de deus

e escapou!

 

(voando em velocidades que nem deus devia se arriscar…)

 

“- o diabo era amigo de deus?”

o diabo era amigo de deus!

quase sempre brincavam de explosão

outras tardes brincavam de atenção

 

(tinham mania de discursar só pra ver quem falava melhor…)

 

deus era um cara simples

do bem

que  surpresa:

o diabo também

 

o poeta?

frigiu a testa

como quem não gostou

sacou uma borracha

e ameaçou apagar os dois

 

deus não disse nada

o outro se concentrou

prometeu trazer as virgens

e se viu servindo a sopa

 

o tal velho era fraco em sensatez

 

e assim, logo depois

ele amassou o papel

disse que amanhã escrevia o céu

e foi dormir

 

Daniel Sansil é isso, aquilo, acaso

Cruz-Aquarela

Post-Festum II

Débora Suelda

 

As mesmas testemunhas mudas,

exalando oxigênio.

E ali viveram,

um, dois, três

amores.

Construíram e habitaram.

 

Agora partem,

Se desconstruindo,

pelo que não foram.

 

Desabafam…

“ao quase-todo que foi,

ao pão pouco,

cada meia-maçã vermelha,

cada ruga bem desenhada,

[no seu sorriso]”

 

Ocorreu…

Habitaram e fugiram.

 

As testemunhas?

continuam fincadas,

agora

exalam oxigênio como nunca,

depois dessa ventania.

 

Débora Suelda é professora, psicóloga nas horas vagas, e expressa os sentimentos que tem do mundo, quase sempre, através de poemas